Mais uma edição do IN OFF News, mais um contragolpe na queda de braço entre as campanhas de Jerônimo Rodrigues e ACM Neto. Depois de dias de repercussão em torno do chamado voto “Lula-Neto” — a tese de que parte do eleitorado aprova Lula no plano federal mas migraria para Neto no estadual —, foi a vez da militância bolsonarista ligada à chapa de Neto reagir. E a resposta veio com nome e sobrenome: “voto Flávio-Neto”.
Um contragolpe ao voto Lula-Neto
A ideia é simples e devolve a lógica do adversário: assim como existe um eleitor Lula-Jerônimo, existe também um eleitor Flávio Bolsonaro-ACM Neto, votando no senador para presidente e em Neto para governador. Nomes da ala bolsonarista mais alinhada ao PL já saíram a campo defendendo publicamente essa combinação, repetindo o discurso de “varrer o PT da Bahia”.
Os bolsonaristas que nunca quiseram Neto
O detalhe que dá tempero à história é que essa ala nunca foi entusiasta da candidatura de ACM Neto ao governo. Boa parte desses nomes defendia um candidato saído das fileiras do próprio PL, e só engoliu Neto depois que João Roma — presidente estadual do partido e hoje candidato a senador na chapa do União Brasil — costurou a aliança. A relação, nas palavras da própria militância, está longe de ser um mar de rosas. Mesmo assim, o discurso predomina: para tentar barrar o PT no estado, o voto é em Neto, ainda que a contragosto.
Lula responde na Liberdade
Do outro lado, a campanha de Jerônimo Rodrigues também não ficou parada. Diante da repercussão do voto Lula-Neto, o presidente Lula decidiu antecipar sua agenda na Bahia: em vez de viajar ao Rio Grande do Sul neste fim de semana, ele vem a Salvador nesta sexta-feira para uma caminhada pelo bairro da Liberdade, um dos maiores redutos históricos do PT na capital. O movimento é lido como uma resposta direta à narrativa que incomodou o entorno do governador — e também estratégica: Lula precisa ampliar sua margem de votos justamente no Nordeste, região onde tende a compensar dificuldades no Sul, no Centro-Oeste e no Sudeste.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro deve vir à Bahia em setembro, ainda sem data ou evento definidos, segundo adiantou o próprio João Roma.
O dinheiro de Edvaldo Brito
Um capítulo à parte nos bastidores do Senado: o ex-vereador de Salvador Edvaldo Brito, hoje primeiro suplente na chapa de Jaques Wagner, doou mais de R$ 533 mil à própria campanha do correligionário — um reforço financeiro considerável na disputa pela reeleição de Wagner ao Senado.
O que fica
A disputa pela Bahia segue com dois discursos de voto casado brigando por espaço: Lula-Neto de um lado, Flávio-Neto de outro, cada um tentando emplacar a combinação que melhor sirva à própria narrativa. No meio disso, os movimentos de bastidor — a antecipação de Lula, o dinheiro de Edvaldo Brito, a costura ainda desconfortável entre Neto e os bolsonaristas raiz — mostram que a corrida está longe de estar decidida, e que outubro ainda reserva muitas novidades.
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