A poucas semanas do primeiro turno, a campanha de reeleição do senador Ângelo Coronel (Republicanos) já preocupa parte de seus aliados. Peça da chapa majoritária encabeçada por ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia, Coronel ainda não conseguiu transformar a aliança em força eleitoral própria. Na leitura de bastidores feita pelo In Off Cast, o senador aparece apenas na quarta posição na briga pelas duas vagas baianas ao Senado, atrás do governador Rui Costa, do ex-governador Jaques Wagner e do próprio companheiro de chapa, João Roma (PL).
Da base do governo para os braços de Neto
Parte da explicação está na própria trajetória recente do senador. Coronel deixou a base governista depois de ver a candidatura majoritária ficar com Rui Costa, rompeu com seu padrinho político dentro do PSD e migrou para o palanque de ACM Neto, filiando-se aos Republicanos do bispo Márcio Marinho. Na largada, prometeu turbinar a campanha de Neto trazendo prefeitos, vereadores e ex-prefeitos para o novo grupo — um movimento que, segundo a coluna do In off, simplesmente não se confirmou na prática.
Promessas que não decolaram
Passado o entusiasmo da migração, o que se vê hoje é um Coronel mais recolhido. Some o Coronel aguerrido e pragmático que marcou seus mandatos anteriores, junto a agenda de propostas para a Bahia que costumava puxar para si. Nos bastidores, ele segue promovendo encontros e almoços com lideranças da base de ACM Neto — mas a movimentação, até aqui, não tem se traduzido em números melhores nas pesquisas.
De olho na reeleição dos filhos
Um viés que ganha força é a de que Coronel estaria concentrando esforços na eleição dos filhos: Diego Coronel, que disputa uma vaga à Deputado Federal, e Ângelo Coronel Filho, candidato a Deputado Estadual. Se a aposta é essa, o cálculo é claro — usar o capital político acumulado para manter a família representada em Brasília e na Assembleia Legislativa, mesmo que a própria candidatura ao Senado perca fôlego.
O tabuleiro do Senado na Bahia
Hoje, a disputa pelas duas cadeiras baianas no Senado tem Rui Costa e Jaques Wagner na frente, com João Roma buscando a vaga pela chapa de Neto. Coronel aparece atrás dos três — um cenário que, se confirmado nas urnas, dificultaria bastante a permanência do senador no cargo.
O que fica
Ficam no ar as perguntas que o próprio In Off Cast levanta: Coronel errou o timing ao deixar o governo? A aposta em Neto foi precipitada? E, num cenário em que Neto vença a eleição ao Palácio de Ondina, ele teria força — ou disposição — para carregar Coronel e Roma junto? Pesquisa não é urna, e o próprio Senador pode estar guardando votos represados para a reta final. Mas o silêncio relativo da campanha, a um mês da votação, já é, por si só, um dado a ser observado.
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