Política

Governo lança operação para neutralizar o "voto Lula-Neto" na Bahia

Após repercussão sobre eleitores que pretendem votar em Lula e em ACM Neto ao mesmo tempo, base governista reage chamando o candidato do União Brasil de "Neto Bolsonaro".

Ilustração · imagem meramente ilustrativa.

Depois da edição do IN OFF NEWS sobre o voto Lula-Neto render bastante repercussão, o governo reagiu. E reagiu rápido. A ideia de eleitores que pretendem votar em Lula para presidente e em ACM Neto para governador ao mesmo tempo incomoda a candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT), que aposta justamente no chamado “voto casado” para pavimentar sua reeleição.

A estratégia: colar a imagem de ACM Neto a Bolsonaro

Em entrevista recente, o próprio governador reafirmou que “seu adversário é bolsonarista”. Não foi o único. O presidente de honra do MDB na Bahia, Lúcio Vieira Lima, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima passaram a se referir a ACM Neto publicamente como “Neto Bolsonaro”.

A lógica por trás da manobra é simples: se o eleitorado passar a enxergar ACM Neto como uma extensão do bolsonarismo, fica mais difícil sustentar a narrativa de que dá para votar nele e em Lula ao mesmo tempo.

E o que diz o outro lado?

ACM Neto, por sua vez, já deixou claro que não pretende podar o voto de ninguém — ele já afirmou publicamente que, se seu eleitor quiser votar em Ronaldo Caiado ou até no próprio Lula, “vai achar ótimo”. A postura é coerente com o discurso que vem repetindo desde o início da campanha: a de que a eleição para governador é regional, não nacionalizada.

ACM Neto não recebeu Flávio Bolsonaro na Bahia até agora, e setores mais à direita do seu próprio campo — como os deputados estaduais Leandro de Jesus e Diego Castro, e a candidata a deputada federal Raíssa Soares — teriam preferido um nome mais alinhado ao bolsonarismo raiz na cabeça de chapa. Mas o candidato do União Brasil está mais preocupado em se eleger governador (e manter aberta a porta para o voto Lula-Neto) do que em montar um palanque para Flávio.

Queda de braço que ainda vai render

Enquanto o governo tenta colar a etiqueta de bolsonarismo em ACM Neto, o candidato da oposição aposta na despolarização do discurso estadual. Com a corrida ainda tecnicamente indefinida, é provável que esse embate de narrativas continue sendo um dos pontos mais disputados da campanha nas próximas semanas.

▶️ Assista ao episódio completo no YouTube: OPERAÇÃO ABAFA! JERÔNIMO JOGA PESADO PARA NEUTRALIZAR VOTO ACM/LULA