A campanha eleitoral na Bahia ganhou mais um capítulo de embate direto entre pesos pesados da política estadual. O senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, foi taxativo ao criticar ACM Neto, candidato do União Brasil ao governo do estado. Ele disse que o ex-prefeito de Salvador precisa “comer muito arroz com feijão” antes de se comparar ao avô, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães — uma das figuras mais influentes da história política baiana.
Recado direto, sem meias palavras
A fala de Wagner é uma provocação direta à tentativa de ACM Neto de se apresentar como herdeiro político do avô. A rivalidade entre os grupos políticos que hoje formam a base governista e o campo de ACM Neto tem raízes antigas na Bahia, e episódios como esse mostram que ela segue viva.
Fujão de novo
Outro assunto que segue rendendo bate-boca é a ausência anunciada de Jerônimo Rodrigues no debate promovido pela Bahia FM — decisão que levou ACM Neto a chamar o governador, mais uma vez, de “fujão”. Do lado governista, a resposta veio pela boca de Lúcio Vieira Lima, presidente de honra do MDB baiano, que lembrou que o próprio ACM Neto, em 2022, convocou Jerônimo para um debate e depois não compareceu. Ou seja: acusação por acusação, cada lado tem seu próprio histórico de ausências para cobrar do adversário.
Bastidores das legendas
Fora o duelo Wagner-Neto, a semana também trouxe outras movimentações relevantes. Augusto Vasconcelos, secretário estadual de Trabalho, Emprego e Renda e nome de peso do PCdoB baiano, projetou a eleição de três deputados federais pelo partido — mantendo Alice Portugal e Daniel Almeida e apostando na candidatura de Olívia Santana, hoje deputada estadual.
Já no MDB, o cenário é de disputa interna: o partido tenta eleger dois nomes para a Câmara dos Deputados, Ricardo Maia e Jaime Vieira Lima (ex-presidente da CERB e primo dos irmãos Vieira Lima), o que deixaria a ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho — que migrou recentemente do PT para o MDB — de fora dessa conta, segundo a leitura da coluna. Também é apontado que o deputado federal Jorge Araújo (PP), buscando a reeleição, dificilmente repetirá o desempenho que teve como vereador mais votado de Salvador em 2024, nem a votação de 2022.
Uma coisa é certa
Como sempre vale lembrar: política só se decide na urna. As previsões e leituras de bastidor apontam tendências, mas a palavra final é do eleitor baiano — e faltam ainda muitas semanas de campanha, debates e embates até lá.
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